.: Quem Somos :.
O Colégio de Nossa Senhora do Rosário é propriedade do Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria em Portugal, congregação religiosa, reconhecida como corporação missionária. O Colégio é um estabelecimento do Ensino Particular e Cooperativo (EPC), a funcionar em regime de Autonomia Pedagógica para todos os níveis de ensino, de acordo com os normativos sobre esta matéria e a autorização concedida pelo Ministério da Educação. A legislação em vigor estipula que os estabelecimentos de ensino do EPC, que preencham determinados requisitos de funcionamento, em matéria de recursos materiais e humanos e de organização, e que tenham autorização de funcionamento, são considerados como estando enquadrados nos objectivos do sistema educativo e os estudos neles ministrados são equiparados aos ministrados nas escolas públicas.

O Colégio de Nossa Senhora do Rosário já funcionava anteriormente à publicação dos diplomas legais actualmente em vigor, mediante autorização concedida pelo Alvará n° 60, do Ministério da Instrução Pública / Inspecção Geral do Ensino Particular, de 24 de Novembro de 1932.

No início do ano lectivo 1995/96, solicitámos autorização para funcionar em regime de Autonomia Pedagógica em todos os níveis de ensino, uma vez que satisfazíamos largamente todos os requisitos para a concessão do mesmo. É nessa condição que nos encontramos actualmente, e que concede ao Colégio, como escola do EPC, total independência do ensino público.
O Colégio Nossa Senhora do Rosário é uma das muitas obras das Religiosas do Sagrado Coração de Maria em Portugal.

O Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria nasceu em França, a 24 de Fevereiro de 1849, procurando ser resposta a necessidades reais da cidade de Béziers.

O seu aparecimento pode considerar-se integrado no movimento geral das fundações de comunidades religiosas da época, numa tentativa, por parte da Igreja, de solucionar, através de instituições sociais e educativas, as carências existentes no país.

A originalidade da fundação é fruto do dom particular concedido pelo Espírito Santo ao Padre Jean Gailhac e da sua síntese pessoal do mistério cristão.

Esta síntese, animada pelo dinamismo da caridade, determinou uma forma personalizada de visualizar a realidade e de agir perante o contexto que o envolvia, dando assim origem a um Instituto cuja missão é conhecer e amar a Deus, torná-Lo conhecido e amado, para que todos tenham Vida.»!

As Religiosas do Sagrado Coração de Maria estão hoje presentes em vários países do mundo (Portugal, França, Itália, Inglaterra, Irlanda, Estados Unidos da América, Brasil, México, Zâmbia, Zimbabué, Moçambique e Mali), exercendo a sua acção em obras sociais, infantários, paróquias, lares, hospitais, colégios, escolas secundárias e universidades, apoiando crianças, jovens, idosos e doentes.

Em Portugal, para além dos colégios do Porto, Fátima e Lisboa, as Religiosas do Sagrado Coração de Maria dirigem outras importantes obras nessas e noutras localidades, mantendo assim bem viva a pluralidade de dons das Irmãs da primeira Comunidade.
Temos uma história: até 1947
(condensado do texto de Maria da Santíssima Trindade, RSCM e de Pe. Domingos de Oliveira Costa Maia) - Junho de 1947


As condicionantes políticas vividas em 1910 obrigaram à dispersão das religiosas, mas as condições adversas nunca foram obstáculo suficiente para impedir as religiosas do Sagrado Coração de Maria de desenvolver a sua missão.

Durante alguns meses, no Asilo anexo ao Colégio de Miss Hennessey e depois em pequena casa alugada conservaram-se algumas religiosas, sendo este núcleo de irmãs que liga o antigo Colégio Inglês ao actual Colégio de Nossa Senhora do Rosário, aberto em Outubro de 1926. Este ressurgimento do Colégio no Porto deve-se, à Madre Maria da Eucaristia Lencastre que, durante esses anos difíceis sustentou o Instituto em Portugal. Uma dedicada aluna do antigo Colégio Inglês conseguiu que seu irmão alugasse para este efeito o palacete Boaventura, na Avenida da Boavista, com excelentes instalações e a 8 de Setembro de 1926 foi celebrada a primeira Missa.

A 15 de Outubro, o Colégio de Nossa Senhora do Rosário abria as suas aulas. Foi procurado imediatamente pelas melhores famílias do Porto, arredores e Norte do país, encerrando o ano lectivo com 102 alunas.

À preocupação em dar às alunas uma sólida formação e educação aliou-se uma inteligente e criteriosa orientação do ensino. Foram criados os «Cursos Complementares de Letras e de Ciências», organizou-se uma Biblioteca, instalaram-se os Laboratórios de Física e Química. O primeiro relatório publicado, relativo ao ano de 1932/33, já registava boas classificações nos exames realizados no Liceu. Tendo sido exigidos, em 1934, exames de admissão à Universidade, o Colégio apresentou, nesse mesmo ano, nove alunas aos exames de admissão às Faculdades de Letras e Direito de Lisboa. Igual êxito se obtinha nos exames realizados no Conservatório de Música do Porto.

Sempre atentas à voz da Igreja que vai criando e adaptando as suas obras às necessidades dos tempos, as Religiosas do Sagrado Coração de Maria acarinharam, desde as primeiras horas, a organização da Juventude Católica Feminina nos seus Colégios. Foi escolhido o dia 4 de Novembro de 1934 para a fundação da JEC no Colégio de Nossa Senhora do Rosário.

No ano de 1937, a população do Colégio atingia o número de 260 alunas. Para satisfazer todos os pedidos de admissão, foi preciso alugar um dos edifícios contíguos. Tratava-se, porém, de uma situação meramente transitória. Projectava-se, então, a construção de um Pavilhão que permitisse receber um número mais avultado de alunas e satisfizesse todas as exigências pedagógicas. Tendo-se depois verificado os inconvenientes de uma construção anexa a uma casa alugada, concebeu-se a ideia da compra de uma propriedade.

Entretanto ia-se aperfeiçoando a preparação intelectual e artística das alunas, proporcionando-lhes não só professorado escolhido e especializado mas também conferências literário-educativas com a colaboração de eminentes Professores e Homens de Letras.

Sentia-se ainda uma lacuna na formação moral das alunas. Não basta pregar-lhes a caridade nas suas múltiplas formas, entre elas a de assistência social. É preciso que, desde os mais tenros anos, elas vão tomando contacto com as classes necessitadas de amparo. A obra mais própria para funcionar junto ao Colégio, seria um Patronato mas, enquanto não era possível por falta de instalações, o zelo da caridade imaginou vários meios de ir em auxílio dos mais desfavorecidos. Todos os anos, durante o mês de Dezembro, se recolhe grande quantidade de géneros, tecidos, malhas e vestidos confeccionados pelas alunas, roupas usadas, etc.

Até que num feliz dia do mês de Maio de 1941, um telegrama da Reverenda Superiora Geral, a saudosa Madre Maria José Butler, traz a suspirada autorização. Entretanto mal se podia supor que começavam a acumular-se no horizonte nuvens sombrias a ameaçar de morte a existência do Colégio, em virtude do falecimento da religiosa em nome de quem estavam arrendado os dois prédios alugados.

Por esta ocasião já se tinha contactado 26 propriedades! ... Mas a obra era de Deus e o barco não afrouxou a sua marcha. As invocações e os cânticos sucediam-se ininterruptamente num crescendo de entusiasmo e certeza de que Nossa Senhora atenderia as suas orações e, em breve, se conseguiria o terreno para a construção de um novo Colégio, como há tanto tempo suplicavam.

Foi durante a própria novena da Imaculada Conceição que se firmou o primeiro contrato para o terreno onde se iria construir o novo edifício do Colégio e, a 15 de Março de 1947, a Reverenda Madre Provincial assinava a escritura de compra definitiva. À sua chegada, religiosas e alunas romperam numa salva de palmas e vivas. Na Capela tocava o harmónio e entoavam-se cânticos de alegria.

O terreno, com uma área de vinte mil metros quadrados, tem a melhor localização da Av. da Boavista. Com frente para esta Avenida, é limitado por duas outras ruas, confinando apenas um dos lados com o parque de uma aristocrática vivenda.

Está em estudo o anteprojecto de construção e espera-se que em breve se possa lançar a primeira pedra.

Temos uma história: resumo de todo o percurso
Texto de Maria Amália Leite Valente da Costa, RSCM Directora do Colégio de 1932 a 1952 e de 1954 a 1961)


Uma síntese da história do Colégio de Nossa Senhora do Rosário, por muito breve que seja, não dispensa uma rápida referência ao seu antepassado, o «Colégio da Miss Hennessey», situado no Bairro da Picaria, no centro da cidade do Porto.

Quando Miss Henessey, de nacionalidade irlandesa, assumiu a sua direcção nos meados do século XIX, já várias gerações de alunas por lá tinham passado. Apesar da simpatia e confiança que Miss Hennessey inspirava às famílias do Porto, todo o seu desejo era confiá-lo a um Instituto Religioso. Após repetidas instâncias em cartas dirigidas ao Padre Gailhac, fundador do recente Instituto das Religiosas do Sagrado Coração de Maria, em Béziers, cidade do Sul de França (1849), conseguiu que lhe enviasse as suas duas irmãs, a Madre Santa Maria e a Madre São Tomás Hennessey, que tinham professado neste Instituto.

Setembro de 1871 é a data em que as irmãs do Sagrado Coração de Maria iniciam no Porto a sua acção educativa.

Para acalmar os ânimos da população que, a princípio, não recebeu bem as irmãs, exacerbada pelas calúnias propagadas contra as Ordens Religiosas e que não via com bons olhos uma comunidade com elementos vindos de França, as irmãs Hennessey resolveram hastear a bandeira inglesa.

Em fins de Setembro de 1872, as instalações do Colégio, muito acanhadas para o desenvolvimento que ele ia tomando, foram transferidas para o Largo do Coronel Pacheco, uma casa antiga com uma grande quinta onde, mais tarde veio a funcionar o Liceu Carolina Michãelis e depois também alguns departamentos da Faculdade de Engenharia.

"Colégio Inglês do Sagrado Coração de Maria" - foi o nome gravado numa placa de mármore colocada à direita do portão. No entanto, continuou a ser conhecido no Porto pelo nome de Colégio das Inglesinhas da Miss Hennessey.

Da leitura dos programas seguidos no Colégio uma conclusão se impõe: se não continham tantas disciplinas como as actuais, a orientação era mais feminina - Língua e Literatura Portuguesa, História e Geografia. O uso do Francês, do Inglês e do Alemão era corrente no Colégio, o que possibilitava às alunas representarem em qualquer destas línguas.

Igualmente cuidada era a aprendizagem das então chamadas prendas femininas: lavores, desenho, pintura, flores. Até dança era ensinada a preceito por professor de fama, lições solenemente presididas pela Miss Hennessey. Incluía ainda lições de canto pelo Professor Dubini que era muito conceituado no Porto. As disciplinas acima citadas eram na sua quase totalidade leccionadas pelas irmãs estrangeiras que revelavam grande competência.

Após a proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, é promulgado um Decreto que proibia às religiosas ensinar. Foram estas, entre as quais já havia muitas portuguesas, obrigadas a dispersar, dirigindo-se as que tinham família no Porto e proximidades para as suas casas. As irmãs de nacionalidade estrangeira foram as primeiras a embarcar para os seus países. Desta dispersão, que atingiu igualmente os colégios de Braga e Viseu, fundados respectivamente em 1876 e 1892 pelo mesmo Instituto do Sagrado Coração de Maria, nasceram os colégios do Brasil. Outras ainda foram para a França e Estados Unidos.

Entretanto, no dia 11 de Abril, chegava a Tuy, pequena cidade espanhola fronteira a Valença, onde a Madre Maria da Eucaristia Lencastre, primeira provincial portuguesa do Instituto, resolvera procurar abrigo para as religiosas velhinhas, o primeiro grupo de irmãs portuguesas.

Quando se soube que as Religiosas do Sagrado Coração de Maria estavam tão perto da fronteira, os pais das antigas alunas começaram a pedir-lhes a abertura de um colégio, que lá funcionou até poderem abrir em Portugal os colégios de Espinho (1920) e Braga (1921). As alunas vinham fazer os seus exames de disciplinas singulares a Portugal. Simultaneamente mantinha-se no Porto um grupo de três religiosas, por concessão de um funcionário responsável pelo edifício, numa casa anexa ao Colégio onde funcionava um Internato para crianças de famílias carenciadas. Este também teve de ser abandonado em 1912 pelas irmãs, que alugaram então uma casa na Rua de Cedofeita e, passados anos, transitaram para a Rua dos Bragas. Lá se conservaram até à data da fundação do Colégio de Nossa Senhora do Rosário, em 1926, leccionando crianças pobres e dando hospedagem a alunas do Liceu e Escola Normal. Não podemos deixar de salientar o auxílio prestado por estas três irmãs com uma vida de trabalho incessante e por vezes heróico, não só às irmãs exiladas em Tuy, mas ainda às novas fundações dos colé­gios de Espinho, Braga e finalmente do Porto.

No dia 15 de Outubro de 1926, reabria, portanto, o Colégio do Sagrado Coração de Maria no Porto, agora com o nome de «Colégio de Nossa Senhora do Rosário», no palacete Boaventura, na Avenida da Boavista, graças à insistência de Dona Adelaide de Sousa Chambers, antiga aluna do Colégio Inglês, junto do seu irmão, para que o arrendasse às religiosas.

Desde o início que, a uma formação integral, se aliou a preocupação de garantir às alunas uma habilitação académica equivalente àquela que era dada nas escolas do Estado.

Em 21 de Novembro de 1932, foi concedido ao Colégio de Nossa Senhora do Rosário, pelo Ministério da Instrução Pública - Inspecção-Geral do Ensino Particular, o Alvará que autorizava a abertura de um estabelecimento de Ensino Particular, sob a denominação de Colégio de Nossa Senhora do Rosário, podendo ministrar o Curso Primário, Secundário (geral), Técnico-Profissional (comercial) e Artístico e ainda o Curso Complementar de Letras.

Quando, em 1934, se exigiram, pela primeira vez, exames de admissão à Universidade, o Colégio de Nossa Senhora do Rosário já apresentou nove alunas nas faculdades de Letras e de Direito de Lisboa.

Por volta de 1945, tendo o Colégio atingido o total de 310 alunas, entre internas e externas, número máximo que a casa e os seus anexos podiam comportar, impunha -se a necessidade de construir um novo edifício. Dois anos mais tarde foi adquirido para esse efeito o vasto terreno em que veio a levantar-se a actual construção, obra do arquitecto Mário de Morais Soares e do construtor Joaquim Ferreira dos Santos.

15 de Outubro de 1958!

«O portão abriu-se para deixar entrar centenas de raparigas...», assim começa a Maria Clara Koehler (aluna do 5° ano do Curso Geral Secundário) a descrição das suas impressões do primeiro dia no Colégio novo, encantada com a amplidão das instalações cheias de luz, as salas de aula, o ginásio, os laboratórios, etc., etc.

O número de alunas tinha aumentado sensivelmente. Foram já 450 as que se matricularam neste ano lectivo e 750, passados dois anos.

Nos últimos anos e após o Concílio Vaticano II, superando crises e vicissitudes de vária ordem, o Colégio conseguiu crescer em número de alunos, em qualidade pedagógica, em abertura à comunidade local e vivência da utopia evangélica.

A partir de 1980, com o apoio pedagógico do ensino estatal, tem-se vindo a processar «a profissionalização» em quase todas as disciplinas, a qual tem contribuído para a dinamização do Colégio com introdução de novas metodologias baseadas nas correntes pedagógicas actuais. Organizaram-se cursos de reciclagem e variadíssimas acções de formação para professores, pais, alunos e outros trabalhadores do Colégio. Com a abertura ao meio e ao movimento de carácter social e de evangelização, têm-se empregado todos os esforços para a implementação neste Colégio de uma verdadeira Escola Católica que se defina num quotidiano de vivência cristã.

De um modo particular nos últimos anos, - devemos salientar! - pais e professores têm dado resposta ao IDEÁRIO DO INSTITUTO DO SAGRADO CORAÇÃO DE MARIA numa colaboração dedicada, activa e generosa.

Os educadores deste Colégio, dinamizados por uma Equipa de Evangelização, envolvidos todos na mesma acção educativa, esforçam-se em cooperação e corresponsabilidade para obter a síntese Fé, Cultura e Vida.